Esperança
Insistimos em oferecer nosso coração a quem nos oferece apenas a mão
E continuamos a estender a mão a quem nos oferece o coração
Como se fosse uma regra, uma rotina, um praxe, um clichê
Que, quando se quebra, ocorre o milagre do namoro. Algo assim, inalcansável
Se pudessemos ter controle sobre nossos sentimentos, nada mudaria.
Quem ama, escolheria deixar de amar. Quem não ama, escolheria amar.
E assim, mais uma vez, interesses se desencontrariam no meio da estrada
Continuando, assim, o longo período de olhos molhados no silêncio absurdo.
Quando a solidão não mais doer, ouvir-se-ão o choro dos inocentes
Jaz aqui mais um coração congelado em estacas de gelo
Mais uma alma que a guerra levou, combalido pelas balas perdidas do desprezo
Perdemos mais um, gritam os anjos inconsolados do mais alto penhasco do céu
Então, que a solidão doa, que dos olhos nasçam cachoeiras
Que o pulso sangre, que a barriga gele, que a pressão caia
A dor incomode, sua imagem fira e sua voz acalente tudo de novo
Porque amores impossíveis só valerão a pena se doerem
E só há dor se ainda houver esperança

