Hoje eu acordei com fome de palavras. Com fome de consolo. Aquele que a gente ajeita no colo depois do choro. Palavras com as respostas mais belas possíveis. Palavras com os sentidos verdadeiros. Sentidos inteiros. Sem rodeios, sem metáforas. Palavras que se põe pra fora, na lata - injetadas na alma. Palavras que registrem seus rabiscos nos meus ouvidos. Palavras que enriqueçam minha memória. Palavras que espantem meus medos, meus receios e essa minha ânsia. Palavras, por favor, de esperança. Palavras que se colhe, que se planta. Palavras ditas sem medo de parecer bobagem. Palavras que eu possa colocar na minha bagagem e levar embora. Palavras da boca pra dentro, do coração pra fora. Palavras que despertam meu silêncio, que me façam sorrir. Além de tudo, palavras que me façam sentir. Palavras reais, mesmo que banais. Palavras certas, mesmo que indiscretas. Palavras
pequenas que me façam crescer. Hoje eu não to a fim de usar meu
dicionário pra te adivinhar. Então esclareça todos os seus verbos – até
que eu fique com vontade de te reler, me envolver nos seus sujeitos, e
te escrever na minha agenda. Diga logo de uma vez. Preciso de palavras.
Preciso que você me adivinhe, sem dicas, sem cruzadas, sem jogo da
forca. Hoje é sua vez. Preciso gostar do seu timbre, do agudo e do grave
da sua boca. Preciso da sua voz afinada ou rouca. Tanto faz. E diz as palavras
que possam me tirar desse lugar onde eu não quero ir. Preciso de
expectativas reais. Diga logo, mas uma de cada vez. Alimente meu desejo
com sua sopa de letrinhas. Para que eu possa me saciar aos poucos até a
fome passar [Será que passa?].
Texto retirado do blog No Limite das Palavras
