Tenho pensado
sobre esse fogo no peito, essa cicatriz que confessa. Ando com
saudades de mim. Daquelas que doem. Saudades do que sou e do que é
verdade apenas para mim. Sem me por no lugar de ninguem, sem os bens
valiosos impostos. A vocação do lar não me atrai, apenas o colo do
amor. Aquele amor sem maquiagem, sem roupa de festa ou mascara de bom
partido. Somente o afeto desmedido, as gargalhadas livres, os abraços
apertados, o amor no olhar.
Ando com
saudades do que deixei se perder aqui dentro e que anda me matando de
fome. Enquanto me vejo passar na vitrine, não reconheço nada do que
desejo. Só os passos cambaleantes na direção contrária.
E minha
crença nesse intinerário é o que ainda me conduz pro meu mar de
ilusões. Sem me importar nem lamentar os ensaios de vida que minha fome
alimenta.
Uma hora, toda essa ânsia esfomeada há de seguir outro rumo, muda de direção.
E essa dor que queima sem confissão, deixa uma cicatriz cheia de ensinamentos.

